segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A saída dos filhos

Emocionalmente, a falta das crianças pode ser vivenciada como a perda de um certo lugar, é a "síndrome do ninho vazio"
Por Dorli Kamkhagi
Para algumas mulheres, a saída de casa dos filhos - assim como seu crescimento e evolução – é um sinal de que as coisas andaram bem. Afinal, é quando se percebe que os filhos possuem autonomia e podem pensar em alçar voo solo (às vezes em dupla, no caso de um casamento) que temos mais tranquilidade.
Outras mulheres, porém, sentem uma grande dor neste momento de separação, pois a partida dos filhos remete às questões de temporalidade e da percepção de que novos ajustes deverão ser feitos.
Emocionalmente, a saída dos filhos pode ser vivenciada como a perda de um certo lugar. Alguns especialistas chamam este momento de “síndrome do ninho vazio”. O que nos leva a pensarmos nestes espaços físicos e emocionais que necessitam de novos significados.
Isto quer dizer que o lugar de mãe continua e, talvez, de uma forma mais rica e ampliada. Este filho começa a ter uma outra forma de reconhecer a sua família e pode também, com um certo distanciamento, aprender a reconhecer tudo aquilo que o ajudou a se construir como um adulto que pode e deve ter um caminho próprio a percorrer.
Mas um fenômeno que vem ocorrendo é que muitas mães precisam, ao mesmo tempo, lidar com a saída dos filhos adultos e também encarar o momento em que seus próprios pais estão adoecendo e morrendo. Esta dupla função muitas vezes acaba por adoecer esta mulher, que é mãe, filha e cuidadora. São momentos longos, que podem resultar em adoecimentos e quadros depressivos nestas mulheres que passam por tão difíceis e diferentes situações.
Pode ser necessário uma terapia para conseguir lidar de forma mais tranquila com as perdas. Ter um espaço para poder recuperar a sua história e, principalmente, o desejo de desejar. Este momento de reflexão pode ser de grande eficácia na recuperação de partes desta “mulher” que precisa também reaprender a olhar novamente para si.
Uma imagem baseada na despressurização de um avião me parece própria: “primeiro é preciso colocar a sua própria máscara de oxigênio para depois cuidar dos outros”.

Dorli Kamkhagi é doutora em Psicologia Clínica, mestre em Gerontologia e pesquisadora do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sintoma Sexual na relação conjugal

As dificuldades e/ou sintomas sexuais não devem ser ignorados pelo casal. É claro que uma boa vida sexual não é a solução ou a garantia de que o casal viverá bem, mas poderá contribuir na solução e/ou evitar alguns problemas.

A sexualidade é um dos instrumentos dentro da relação, significa o contato físico mais intimo do casal, assim os distúrbios e/ou sintomas sexuais são conseqüências de distúrbios e dificuldades da relação, este conteúdo virá para mostrar o que esta acontecendo entre os parceiros e que, por não ter sido mostrado de forma clara, vem metaforicamente através desses sintomas sexuais. 

Muitos sentimentos que não são expressos no cotidiano vão para cama como sintoma.
Como colocado pela Psicoterapeuta Relacional Sistêmica Solange Rosset em seu livro, O casal nosso de cada dia, a falta de respeito pelas características do parceiro pode vim como falta de interesse sexual; a mágoa pela desqualificação que recebe do outro pode vim na forma de ejaculação precoce ou falta de prazer sexual.

Outra questão muito comum entre os parceiros é o ressentimento que acaba, também, se transformando em problemas sexuais.

O ressentimento pode aparecer naqueles casais que pouco conversam ou não negociam de forma clara, não falam de suas insatisfações ou sentimentos e não lidam ou não dão importância para as diferenças individuais de cada um, tudo isso vai sendo empurrado com a barriga ou como dizem por ai “ colocam-se panos quentes”. A conseqüência disso é o ressentimento que se torna desejo de vingança. Esse desejo de se vingar do parceiro, na maioria das vezes, é inconsciente e pode aparecer na forma de sintomas sexuais.

Assim é comum culpar o outro pelo fracasso sexual. Esquecem que num relacionamento tem 50% de cada um. Qual é a sua responsabilidade nisso? Essa é uma pergunta importante para cada um dos parceiros refletirem e, depois, juntos encontrarem alternativas de mudanças.

O sintoma sexual é uma alerta, um denunciador da relação; não deixem de prestar atenção. 

Texto: Camila Ribeiro Lobato

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

NAS - Núcleo de Atendimento Sistêmico

O NAS nasceu da união de um grupo de psicólogos com formação em Terapia Familiar Sistêmica e que atuam em BH e grande BH. O trabalho é feito no consultório particular de cada profissional e é coordenado pela psicóloga Fernanda Seabra (crp 04/18317).


Objetivo: oferecer à comunidade um trabalho terapêutico com custo acessível e de qualidade dentro dos princípios da Terapia Sistêmica.


O que é a Terapia Sistêmica?


É uma proposta de trabalho onde o ser humano pode de ampliar sua consciência e obter um melhor entendimento da sua forma de ser, agir, suas escolhas e dificuldades. Como conseqüência desse processo poderá desenvolver novos comportamentos e atitudes, dando um novo sentido a sua história. 
A Terapia Sistêmica entende que todo indivíduo é parte de uma família, que ela é a matriz de sua identificação e que todas as partes se interagem. E são essas interações que serão avaliadas durante o processo.


Atendimento: O trabalho terapêutico tem seu início a partir do primeiro contato telefônico onde serão levantadas algumas informações sobre o motivo da consulta e o terapeuta irá definir nesse momento se as sessões serão individuais, de casal ou de família.


A Terapia Sistêmica está indicada para:


• Pessoas com problemas de relacionamento (pais e filhos, casais, trabalho, etc.)
• Crianças e adolescentes com dificuldades escolares e pessoais (ansiedade, agressividade, TDAH e outras)
• Momentos de crise ou momentos específicos como: perda, separação, doenças crônicas, etc.
• Depressão, síndrome do pânico, fobias etc.
• Pessoas com problemas relacionados ao uso e abuso de álcool e drogas.


Informações: (31) 2516-1648 – falar com Fernanda.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Portas

Se você abre uma porta, você pode ou não entrar em uma nova sala. 
Você pode não entrar e ficar observando a vida.
Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra, dá um grande passo: nesta sala vive-se !
Mas, também, tem um preço... São inúmeras outras portas que você descobre. Às vezes curte-se mil e uma. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta. 
A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende. 
Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa, a cada sala que se vive, descobre-se tantas outras portas. E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas. Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. 
Mas a vida também pode ser dura e severa. Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente. É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida... Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!
Içami Tiba

Desejamos a todos Um Feliz Ano Novo...que todos tenham muitas portas para serem abertas pela frente e que em 2012 possam escolher quais portas vão abrir. Mas lembrem-se as portas são passagens, são permeadas por limites e potencialidades e tudo isso nos traz enriquecimentos...não vamos vê, apenas, obstáculos e ficar ruminando as dificuldades...vivemos de dores e alegrias; isso é viver, é o pulsar da vida...sem estagnação...quando não abrimos portas não vemos nem um lado e nem o outro, nem o bom e nem o ruim; isso é inércia. Por isso arrisquem em 2012, nas dificuldades terão facilidades e nas facilidades dificuldades; nas dores delicias e nas delicias dores!!!


Um abraço a todos
NASS  - Núcleo de Atendimento Social Sistêmico

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Amor e perseguição

“As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas”.
Norman Mailer. Copiem. Decorem. Aprendam.
Temos a mania de achar que amor é algo que se busca. Buscamos o amor em bares, buscamos o amor na interner, buscamos o amor na parada de ônibus. Como num jogo de esconde-esconde, procuramos pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas platéias dos teatros. Ele certamente está por ali, você quase pode sentir o seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível, pois só o amor
constrói, só o amor salva, só o amor traz felicidade.
Amor não é medicamento. Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproximará,e, caso o faça vai frustrar suas expectativas, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza,ele não suporta a idéia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima. Você já ouviu muitas vezes alguém dizer: “Quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu”. Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas.
“As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas”.
Normal Mailer. Divulguem. Repitam. Convençam-se.
O amor, ao contrário do que se pensa, não tem que vir antes de tudo: antes de estabilizar a carreira profissional, antes de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir do seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir diante de você sem máscaras e sem fantasia.
É esta a condição. É pegar ou largar.
Para quem acha que isso é chantagem, arrisco sair em defesa do amor: ser feliz é uma exigência razoável e não é tarefa tão complicada. Felizes aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é serenidade. Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipes encantados. O amor é o prêmio para quem relaxa.
                                                                                                      Martha Medeiros

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A nossa história com a nossa família

Desde quando nascemos somos pertencentes a grupos, o primeiro desses é a nossa família. O que não sabemos ou negamos saber é a influência de nossa família na nossa formação enquanto indivíduo, na nossa individualidade.

Acreditamos o tempo todo na nossa originalidade, insistimos, algumas vezes, em afirmar o quanto somos diferentes de nossos pais e da forma de funcionamento da nossa estrutura familiar. Um grande paradoxo, porque quanto mais insistimos nisso mais presos estamos a nossa família.

Muitas coisas que vivemos são repetições do que acontece na nossa família, repetição da nossa história familiar. Estamos presos as regras, crenças, leis e costumes da nossa família.

Não é muito fácil sermos tão diferentes e originais do grupo que pertencemos, mas voltar às nossas raízes, conhecer as histórias das nossas famílias, acreditar no nosso potencial de pertencer e ser influenciado vai fazendo com que aumente nossa consciência sobre esta história e só assim poderemos ser mais diferentes e originais.

Então para individuar e traçar nosso próprio destino precisamos pertencer e saber da importância deste pertencimento.  Este é o foco de trabalho do psicoterapeuta sistêmico. Junto do cliente irão avaliar sua história e sua herança transgeracional. Assim quando o cliente ampliar sua consciência e entender um pouco sobre sua história e as suas relações poderá perceber melhor seu jeito de ser, agir, pensar, comportar e fazer suas escolhas. Com a consciência ampliada o próximo passo são as mudanças necessárias para uma vida mais saudável e funcional.

Fonte:
Texto Tributo Familiar de Jaqueline Cássia de Oliveira

Texto escrito por: Camila Ribeiro Lobato
                                                

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Pequeno guia para a convivência com casais

Quando a gente se casa, descobre que cada parte do casal perde a certidão de nascimento e recebe UMA certidão de casamento. Tornar-se uno à força, via cartório, é assustador, mas vira brinquedo de criança perto do tratamento recebido dos conhecidos e nem tão conhecidos assim. O problema é que as pessoas ainda não conseguem ver um casal como pessoas distintas, com interesses, amigos e personalidades diferentes, tratando as mulheres como dependentes ou inferiores, e muitas vezes o “agressor” não entende o porquê da ofensa. Como já passei muita raiva com esse assunto, seguem algumas sugestões para evitar problemas na convivência com casais:

O casal é formado por duas pessoas com os mesmos direitos
Se sabe que determinado assunto é de interesse da Fulana, conte diretamente a ela, e não fique esperando que Beltrano seja seu moleque de recados. Ela não vai pensar que você tem segundas intenções só por causa disso.
Não presuma que o convite da festa pode ser feito apenas para Beltrano, e que ele se encarrega de arrastar Fulana pro evento. Ao fazer isso, você diz: “se Beltrano vai, é lógico que ele vai levar Fulana, pois eles são um casal e só podem ir junto às festas”. Raciocínio ridículo é o mínimo a se dizer sobre isso, pois transforma Fulana em apêndice do Beltrano.
Lembre-se que, no convite escrito, é bom convidar expressamente Fulana e Beltrano. Nada de senhora, afinal ambos têm nomes é pra serem usados, e o senhora pode ser confundido com “senhora sua mãe”. Se citar apenas um dos nomes, pode criar a péssima dúvida: “será que o convite é pro casal ou apenas pra mim?”

Casais têm mais coisas pra fazer do que só falar de assuntos profissionais
Por incrível que pareça, muita gente não entende isso e jura que Fulana virou PHD na área profissional do Beltrano só porque começaram a namorar na semana passada. Ou atribuem as habilidades profissionais de Fulana exclusivamente à convivência com Beltrano. Curiosamente, o contrário não ocorre… ninguém fala que Beltrano virou especialista nas habilidades profissionais da Fulana, sejam elas direito, computação, medicina, mecânica, tricô, psicologia ou gastronomia.

Uma parte do casal não é clone da outra
Casais podem até ser parecidos e ter objetivos em comum, mas não necessariamente têm as mesmas opiniões, e isso não é uma aberração nem o fim do mundo. Portanto, guarde a cara de “oh, é muita audácia ela discordar de você”, as piadinhas do voto de cabresto, e o incentivo à violência doméstica (“ela discorda de você e vai ficar por isso mesmo?”) para o seu espelho.

Cada parte do casal pode ir sozinha a festas sem que isso signifique crise ou fim do relacionamento
Simples assim: seja qual for o motivo, a menos que digam claramente que estão separados, não fantasie sobre a ausência do cônjuge. Casamento não significa vigilância nem dependência perpétua.

Para compromissos profissionais, um casal não deve ser tratado como casal
Mesmo que trabalhem na mesma área, ou áreas parecidas, ou no mesmo local, devem ser tratados como qualquer outro colega solteiro. Nada pior do que o chefe conversar com Beltrano sobre a situação da Fulana ANTES de falar com ela, sendo que Beltrano NADA tem a ver com o assunto.
O fato de serem um casal não significa que devem ter os mesmos horários e freqüentar os mesmos locais, a menos que AMBOS peçam isso.
Nunca, mas nunca mesmo, pergunte a Fulana se Beltrano vai se opor a ela trabalhar em local distante, ou se Beltrano irá buscá-la no trabalho. Os problemas de deslocamento de Fulana são apenas dela, e ela que se vire pra resolvê-los. Beltrano é marido; não é pai, nem motorista nem babá. Se fosse uma mulher solteira, ou um homem, você perguntaria uma coisa dessas?

Casamento não significa troca de pai e mãe
Ao se casar, Beltrano não se torna pai de Fulana, nem Fulana se torna mãe de Beltrano. Não se dirija a nenhum deles reclamando de algo de errado, diferente, preocupante ou exótico que a outra parte fez, esperando um corretivo para a situação. Pessoas casadas são, teoricamente, adultas, e devem resolver seus problemas sozinhas. Transferir a situação para o cônjuge, como se fosse função dele resolver o problema que a “criança” causou, implica em presumir que a outra parte é incapaz de resolver seus problemas sozinha. Na melhor das hipóteses, você está ofendendo a pessoa; na pior, perdeu o respeito do casal.

Casamento não significa que uma parte sabe tudo sobre a outra parte
Cônjuge não é agenda, nem espelho da verdade, nem tem bola de cristal. A menos que se viva apenas pra isso, é impossível saber de cor todos os horários e compromissos da outra parte. E, se a pessoa não está do seu lado, como saber onde ela está ou o que ela está fazendo?
Não estimule nem brinque com ciúmes, desconfiança ou controle entre casais. Se fizer isso, estará contribuindo para um mundo onde as pessoas vivem estressadas porque desconfiam até da própria sombra, além de serem propriedade do cônjuge. O resultado mais óbvio dessa postura chama-se violência doméstica, tanto física quanto psicológica.


Autora: Cynthia Semíramis