sexta-feira, 23 de maio de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Filme: A Vida em Preto e Branco
O filme nos mostra através de David e sua irmã Jennifer a realidade de “Pleasantville”, um seriado em preto e branco dos anos 50 onde tudo era muito agradável. Os irmãos entraram para este seriado a partir de uma briga pela posse do controle-remoto, até o mesmo estragar. Neste momento um estranho técnico de televisão vai até a casa deles passando um novo controle; quando eles apertam este novo controle são levados magicamente para dentro de Pleasantville e lá se tornam Bud (David) e Mary-Sue (Jennifer) - dois personagens da série.
David já conhecia o seriado, por isso
não achou muito estranho como a sua irmã naquele lugar, onde todos viviam em
plena felicidade, mas não tinha sexo, ninguém nunca precisava ir ao banheiro, as
páginas dos livros não tinha nada escrito, ninguém tinha noção do que era chuva
(quando apareceu ficaram horrorizados), nada tinha cor (tudo em preto e branco)
e ainda, bombeiros serviam para apanhar gatos nas ruas, fogo não era conhecido.
Uma realidade diferente para os irmãos.
Contudo, com cada transformação os
habitantes foram descobrindo uma nova forma de viver. Um mundo colorido. Isso
foi o suficiente para começar a se instalar um grande conflito na cidade entre
aqueles que estavam disponíveis a se adaptarem às mudanças e aqueles que eram
conservadoras e tentavam impedir tais transformações.
O filme, através desta metáfora de uma cidade pacata e a chegada do novo e do diferente levado pelos irmãos, nos mostra uma grande realidade vivida por todos nós, seres humanos, que é a dificuldade/medo de encarar as mudanças e como muitos de nós preferimos ficar com aquilo que é familiar, pois é o que conhecemos. É mais fácil criticar/rejeitar o estranho do que conhece-lo, mas o que não sabemos é que “ a entrada do novo é a única coisa capaz de transformar você, não há outro meio de transformação. Se você deixar que o novo entre, você nunca mais será o mesmo”( Curso Zélia Nascimento). No novo temos possibilidades. Tente compreender o surgimento do novo. O velho é repetitivo, chato, monótono.Texto: Camila Lobato
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Raízes
“O enraizamento é talvez a necessidade mais importante e mais desconhecida da alma humana. É uma das mais difíceis de definir. O ser humano tem uma raiz por sua participação real, ativa e natural na existência de uma coletividade que conserva vivos certos tesouros do passado e certos pressentimentos do futuro.”
Simone Weil
Saber onde estão as raízes de cada indivíduo, como ali chegaram a brotar e de que precisam para continuar a nutrir a grande estrutura humana pode levar o ser com maior criatividade e vitalidade ao destino querido.
Da história herdada começa a germinação particular. E, assim, antes de começarmos a falar de um ‘eu’, estamos imersos em uma cultura que nos é dada, uma tradição que é passada e um legado que é deixado pelos nossos genitores. Podemos, portanto, nos sentir abençoados ou amaldiçoados de acordo com o que recebemos, sujeitos a uma grande dificuldade de permitir a iluminação de toda a história para que realmente a raiz lançada possa se fixar. Em alguns momentos, tendemos a exaltar certos aspectos e configurá-los numa verdade absoluta e perfeita; em outros, a omitir aqueles que nos causam maior desconforto, vergonha, culpa ou ira; e ainda tem aqueles em que buscamos nos fortalecer por nós mesmos, com uma negação absoluta de tudo aquilo que foi transmitido.
Em qualquer dessas ocasiões, corremos o risco de não estabelecermos um contato com o todo, com o real, que se configura nessa tensão constante entre determinado e indeterminado, finito e infinito, conhecido e desconhecido... e, no caso específico, naquilo que nos foi dado e para onde queremos ir. Se vamos rumo ao desconhecido, que é o nosso futuro, temos de estar no presente, com uma participação ativa, e isso se dá a partir da bagagem do passado e da projeção para o tempo além. Caso contrário, podemos não partir do presente, mas neste ficarmos presos, passivos e sujeitados às circunstâncias imediatas, com poucas possibilidades de novas construções e em deixar um legado reestruturado a ser sempre reconfigurado pelas próximas gerações.
E é preciso ressaltar que estamos sendo treinados a viver na contemporaneidade de maneira muito contígua às reações, àquilo que acontece no exato momento, sujeitos a sermos derrubados na mais leve chuva ou ressequidos diante de um sol um pouco mais forte. Na sociedade líquido-moderna de Bauman[1], tudo fica fluido e pouco sustentado e, ao invés de orientarmos para o rumo que queremos na vida, nos esforçamos desesperadamente na manutenção desta a qualquer custo, com a tendência a exigir a satisfação imediata dos mais rasos desejos e em nos afirmamos nas mais breves condições.
Quando deixamos a nossa história sob a luz, isto é, a partir do momento que a tomamos com clareza, abertura e respeito, por mais difícil ou assombrosa que seja, as nossas raízes sabem onde estão fincadas e o fortalecimento da nossa árvore diante das adversidades vividas pode ser estabelecido, com condições ainda de seguir ao encontro do céu. Precisamos retomar sempre a nossa história, fazer um esforço de trazê-la para a lembrança, pois como nos diz Elie Wiesel, lembrar “é viver em mais de um mundo, impedir que o passado se desvaneça e chamar o futuro para iluminá-lo”.
Como somente lembramos no presente, aqui estar é ancorar naquilo que nos chegou para ajudar na nossa sustentação. Falar sobre a lembrança possibilita-nos uma certa análise e, se ainda estivermos diante de uma companhia real quando narramos a nossa história, existe a condição necessária para uma observação desta sobre outros pontos de vista. Podemos deixar a posição de aceitação ou recusa cegas para o esforço de acolhimento. Apropriamo-nos da nossa história, nos reerguemos e vemos para onde queremos levar o nosso destino: a participação ativa se instaura e uma escolha própria diante daquilo que a vida nos propõe encontra condições de ser feita.
Desse modo, com o acolhimento daquilo que recebemos, nos fortalecemos e podemos partir para um desenvolvimento, com a proposta daquilo que queremos ver na vida e no mundo: o compromisso global com a existência[2] é possibilitado!
[1] BAUMAN, Zygmunt. Sociólogo polonês, professor emérito na Universidade de Leeds. Publicou vários livros, entre eles Amor Líquido, Globalização: as Conseqüências Humanas e Vidas Desperdiçadas.
[2] GIUSSANI, L. O Senso Religioso. Trad. P. A. E. Oliveira. Brasília: Universa, 2009. p. 64.
Por: Janine Araujo
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Para refletir...
"Mesmo quando tudo parece desabar,
cabe a mim decidir entre rir ou chorar,
ir ou ficar, desistir ou lutar;
porque descobri, no caminho incerto da vida,
que o mais importante é o DECIDIR."
Cora Coralina
sábado, 19 de abril de 2014
A Menina no País das Maravilhas
"Eu...eu...nem eu mesmo sei,
nesse momento... eu... enfim, sei quem eu era,
quando me levantei hoje de manhã,
mas acho que já me transformei várias vezes desde então."
Lewis Carrol (Alice no Pais das Maravilhas)
O filme A Menina no País das Maravilhas (Phoebe in Wonderland) de 2008, trata-se
de um emocionante drama americano dirigido por Daniel Barnz que conta à
história de Phoebe (Elle Fanning) e seus anseios para participar da peça da
escola: Alice no País das Maravilhas, a qual é conduzida pela professora
preferida da menina, Miss Dodger (Patricia Clarkson). Vemos, também, o
desenvolver da crise do relacionamento dos pais da personagem principal e a
distância emocional que eles possuem das suas duas filhas. A mãe, Hillary (Felicity
Huffman) uma escritora que sofre bloqueio criativo por estar passando um momento de dubiedade, entre ser
mãe e ser realizada profissionalmente; e o
pai ausente, Peter (Bill Pullman) também escritor, no entanto bem sucedido .
O casal não se entende, sobre suas carreiras e a saúde da filha,
Phoebe, que está cada vez pior. O longa-metragem problematiza e mostra o desenvolver
da Síndrome de Tourette, um transtorno comportamental e emocional que se instala na infância ou adolescência, caracterizado por tiques motores
múltiplos e um ou mais tiques vocais.
Com a escolha do conto de Alice no País das Maravilhas, uma metáfora
muito rica, juntamente com o papel de Miss Dodger, o filme vem nos
falar da educação libertadora, um ensino construído através no diálogo. O qual
chama atenção de pais e do atual sistema educacional para regras flexíveis demais, mas
que não orientam e por fim confundem; estas normalmente vêm inundadas de culpa.
E o oposto, regras rígidas demais, mas que perdem o sentido uma vez que não são
uteis, nem para o crescimento e nem para o bom convívio, apenas para assegurar
uma postura, a qual, por vezes, esconde medo e baixa estima.
Por fim, a pergunta que Phoebe se faz enquanto Alice é “Quem eu sou afinal?”, pode ser uma das grandes mensagens desse belo filme. Uma vez que todos nós, mas, especialmente, a criança através das suas experiências
individuais vai construir seu mundo interior, sempre em contato/relação com
os outros e com o meio. Cabe aos adultos mais próximos e de confiança serem
facilitadores da integração dela a esse mundo de descobertas, nessa
grande metáfora que é a própria vida real.
Ana L. M. Dias
Ana L. M. Dias
sexta-feira, 11 de abril de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Respondemos pela nossa vida?
Sempre
ouvimos e usamos a palavra “responsabilidade” em nossa vida. É no trabalho, em
casa, nos relacionamentos e, até, em momentos de prazer uma hora ou outra
ouvimos ou dizemos sobre certas responsabilidades ou, mais ainda, falta de
responsabilidade. Mas qual o seu significado? A palavra responsabilidade vem do
latim respondere, que significa
responder, responder por alguma coisa de bom ou ruim, certo ou errado (dependendo
do meu ponto de vista – “ponto de vista é a vista de um ponto”, não é o todo,
não é a verdade absoluta), por aquilo que é nosso, que fazemos, escolhemos ou
buscamos.
Quando
assumimos a responsabilidade por aquilo que fazemos ou não fazemos, desejamos
ou não desejamos mais, sem julgar se é certo ou errado é o início para nos
disponibilizarmos a viver a nossa própria vida com as dores e delícias, como
ela é.
O que
eu estou sentindo agora?
O que
eu quero?
O que
estou sentindo a respeito do que eu quero?
Assim
quando não nos responsabilizamos por aquilo que é nosso, por aquilo que a vida
nos deu e/ou atraímos ou escolhemos inconscientemente, temos grande chance de
nos sentirmos amargos, ficarmos zangados, ressentidos e com raiva. Com isso
nossa tendência é reclamar (queixar de tudo) e culpar o outro. O problema é o
outro, ele (a) fez isto comigo, se ele mudar eu mudo e ai são as inúmeras
desculpas que vamos arrumando. E você? Onde esta o seu “eu” nessa história?
Quando depositamos tudo no outro ou em alguma situação e não nos perguntamos: “qual
é a minha contribuição para isso esta acontecendo?” nossa chance de crescer/aprender
é muito pequena. Assim ficamos só reclamando e/ou culpando todos, o universo,
mas não respondemos por nada.
“ A
capacidade de reclamar é o adubo da miséria emocional e a capacidade de
agradecer é o combustível da felicidade”, já dizia Augusto Cury. Eu acrescentaria
que além de agradecer, também, reconhecer, apoderar daquilo que é nosso e da
minha responsabilidade é o grande combustível da felicidade, pois só aquilo que
esta nas nossas mãos é passível de transformação. Dessa forma precisamos
responder pela nossa vida e pela nossa felicidade/infelicidade, só assim poderemos
encontrar o caminho do crescimento, da satisfação e transformação, além de esta
nos tornando seres cada vez melhores e mais humanos.
Texto: Camila Lobato
Texto: Camila Lobato
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