segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Relação construída aos poucos, sem pular etapas, pode ser mais feliz

Hoje já não é tão comum que um casal passe pelas fases de paquera, namoro e noivado antes de partir para o casamento e isso cria dificuldades. O relacionamento deve ser construído devagar pelas pessoas que acreditam se amar. Elas precisam se aproximar, se conhecer e se adaptar uma à outra. Só então estarão prontas para enfrentar as crises de todo casamento.

No passado, as etapas de um relacionamento de casal eram muito bem definidas e precisavam ser cumpridas. Todos passavam pelo flerte ou paquera, pelo “namorico”, pelo namoro sério e pelo noivado, para, enfim, chegar ao casamento.

Os casais que pulavam fases ou passavam por elas muito rapidamente sofriam o preconceito, a rejeição ou, na melhor das hipóteses, a crítica por parte da família ou da sociedade. Aos poucos, nas últimas quatro décadas, as etapas relacionais sofreram mudanças – resultado de transformações na sociedade e nas famílias, mas também do desejo das pessoas de se sentirem mais livres para agir “do seu próprio jeito”. As fases de avaliação e aprendizagem do relacionamento, consideradas rígidas e antiquadas, foram deixadas de lado. Como terapeuta que acompanha casais em processos preventivos ou curativos, constato que elas fazem falta. Certas dificuldades enfrentadas pelos casais que atendo poderiam ter sido evitadas ou minoradas se aquelas etapas relacionais tivessem sido vividas. Vejamos por quê.

O flerte ou paquera é o momento de mapear, à distância, quem é o outro e o que tem que lhe agrada. É a fase de fantasiar como seria estar junto, que prazeres e que dificuldades poderiam ter juntos. Depois, no “namorico”, o casal pode checar se as fantasias da paquera fazem sentido e avaliar o quanto é bom, de fato, estar na companhia do outro. Também pode avaliar se as diferenças entre o que foi imaginado e a realidade experimentada são possíveis de serem suportadas. É neste momento que um começa a aprender o jeito do outro e a se adaptar ele. Se isso for possível e não excessivamente doloroso, passa-se ao namoro, ou namoro sério, como dizem alguns. É a hora de avaliar o jeito do outro e o seu próprio frente a questões básicas e importantes de um relacionamento estável e comprometido: gostos, manias, projetos de vida, dificuldades, diferenças de jeito de agir e de valores, formas de lidar com o tempo, com o dinheiro, com as responsabilidades, o espaço e a importância que têm os filhos na vida de cada um, as crenças, a fidelidade.

Feita essa avaliação, se concluir que quer realmente ficar junto, o casal passa ao noivado, momento de fazer projetos conjuntos, definir contratos, questionar, flexibilizar e estabelecer modos de enfrentar aspectos da vida em comum.
 
Tudo bem pensado e resolvido, chega a hora do casamento. Os dois estarão prontos, afinal, para definir como será sua vida relacional – diferente da vida da família de cada um deles, porque esta foi construída, etapa por etapa, por eles mesmos. Terão uma base relacional sólida que correrá menos riscos nos futuros e inevitáveis momentos de crise e nos acontecimentos inusitados que podem surgir na vida de qualquer casal.

O importante, portanto, não são os nomes das fases, nem a rigidez ou a duração delas. O importante é a compreensão de que o relacionamento amoroso estável é o resultado de um processo de construção que deve ser levado a cabo pelas duas pessoas que se amam, em conjunto, e que só se concretiza de forma funcional e saudável se passar pelos momentos de aproximação, avaliação e escolha, que permitem ir ajustando – aos poucos e até que fiquem firmes – os laços que as unem.

* Artigo de Solange Maria Rosset
publicado na Coluna AMOR da revista CARAS 950  de 20/1/2012 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A saída dos filhos

Emocionalmente, a falta das crianças pode ser vivenciada como a perda de um certo lugar, é a "síndrome do ninho vazio"
Por Dorli Kamkhagi
Para algumas mulheres, a saída de casa dos filhos - assim como seu crescimento e evolução – é um sinal de que as coisas andaram bem. Afinal, é quando se percebe que os filhos possuem autonomia e podem pensar em alçar voo solo (às vezes em dupla, no caso de um casamento) que temos mais tranquilidade.
Outras mulheres, porém, sentem uma grande dor neste momento de separação, pois a partida dos filhos remete às questões de temporalidade e da percepção de que novos ajustes deverão ser feitos.
Emocionalmente, a saída dos filhos pode ser vivenciada como a perda de um certo lugar. Alguns especialistas chamam este momento de “síndrome do ninho vazio”. O que nos leva a pensarmos nestes espaços físicos e emocionais que necessitam de novos significados.
Isto quer dizer que o lugar de mãe continua e, talvez, de uma forma mais rica e ampliada. Este filho começa a ter uma outra forma de reconhecer a sua família e pode também, com um certo distanciamento, aprender a reconhecer tudo aquilo que o ajudou a se construir como um adulto que pode e deve ter um caminho próprio a percorrer.
Mas um fenômeno que vem ocorrendo é que muitas mães precisam, ao mesmo tempo, lidar com a saída dos filhos adultos e também encarar o momento em que seus próprios pais estão adoecendo e morrendo. Esta dupla função muitas vezes acaba por adoecer esta mulher, que é mãe, filha e cuidadora. São momentos longos, que podem resultar em adoecimentos e quadros depressivos nestas mulheres que passam por tão difíceis e diferentes situações.
Pode ser necessário uma terapia para conseguir lidar de forma mais tranquila com as perdas. Ter um espaço para poder recuperar a sua história e, principalmente, o desejo de desejar. Este momento de reflexão pode ser de grande eficácia na recuperação de partes desta “mulher” que precisa também reaprender a olhar novamente para si.
Uma imagem baseada na despressurização de um avião me parece própria: “primeiro é preciso colocar a sua própria máscara de oxigênio para depois cuidar dos outros”.

Dorli Kamkhagi é doutora em Psicologia Clínica, mestre em Gerontologia e pesquisadora do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sintoma Sexual na relação conjugal

As dificuldades e/ou sintomas sexuais não devem ser ignorados pelo casal. É claro que uma boa vida sexual não é a solução ou a garantia de que o casal viverá bem, mas poderá contribuir na solução e/ou evitar alguns problemas.

A sexualidade é um dos instrumentos dentro da relação, significa o contato físico mais intimo do casal, assim os distúrbios e/ou sintomas sexuais são conseqüências de distúrbios e dificuldades da relação, este conteúdo virá para mostrar o que esta acontecendo entre os parceiros e que, por não ter sido mostrado de forma clara, vem metaforicamente através desses sintomas sexuais. 

Muitos sentimentos que não são expressos no cotidiano vão para cama como sintoma.
Como colocado pela Psicoterapeuta Relacional Sistêmica Solange Rosset em seu livro, O casal nosso de cada dia, a falta de respeito pelas características do parceiro pode vim como falta de interesse sexual; a mágoa pela desqualificação que recebe do outro pode vim na forma de ejaculação precoce ou falta de prazer sexual.

Outra questão muito comum entre os parceiros é o ressentimento que acaba, também, se transformando em problemas sexuais.

O ressentimento pode aparecer naqueles casais que pouco conversam ou não negociam de forma clara, não falam de suas insatisfações ou sentimentos e não lidam ou não dão importância para as diferenças individuais de cada um, tudo isso vai sendo empurrado com a barriga ou como dizem por ai “ colocam-se panos quentes”. A conseqüência disso é o ressentimento que se torna desejo de vingança. Esse desejo de se vingar do parceiro, na maioria das vezes, é inconsciente e pode aparecer na forma de sintomas sexuais.

Assim é comum culpar o outro pelo fracasso sexual. Esquecem que num relacionamento tem 50% de cada um. Qual é a sua responsabilidade nisso? Essa é uma pergunta importante para cada um dos parceiros refletirem e, depois, juntos encontrarem alternativas de mudanças.

O sintoma sexual é uma alerta, um denunciador da relação; não deixem de prestar atenção. 

Texto: Camila Ribeiro Lobato

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

NAS - Núcleo de Atendimento Sistêmico

O NAS nasceu da união de um grupo de psicólogos com formação em Terapia Familiar Sistêmica e que atuam em BH e grande BH. O trabalho é feito no consultório particular de cada profissional e é coordenado pela psicóloga Fernanda Seabra (crp 04/18317).


Objetivo: oferecer à comunidade um trabalho terapêutico com custo acessível e de qualidade dentro dos princípios da Terapia Sistêmica.


O que é a Terapia Sistêmica?


É uma proposta de trabalho onde o ser humano pode de ampliar sua consciência e obter um melhor entendimento da sua forma de ser, agir, suas escolhas e dificuldades. Como conseqüência desse processo poderá desenvolver novos comportamentos e atitudes, dando um novo sentido a sua história. 
A Terapia Sistêmica entende que todo indivíduo é parte de uma família, que ela é a matriz de sua identificação e que todas as partes se interagem. E são essas interações que serão avaliadas durante o processo.


Atendimento: O trabalho terapêutico tem seu início a partir do primeiro contato telefônico onde serão levantadas algumas informações sobre o motivo da consulta e o terapeuta irá definir nesse momento se as sessões serão individuais, de casal ou de família.


A Terapia Sistêmica está indicada para:


• Pessoas com problemas de relacionamento (pais e filhos, casais, trabalho, etc.)
• Crianças e adolescentes com dificuldades escolares e pessoais (ansiedade, agressividade, TDAH e outras)
• Momentos de crise ou momentos específicos como: perda, separação, doenças crônicas, etc.
• Depressão, síndrome do pânico, fobias etc.
• Pessoas com problemas relacionados ao uso e abuso de álcool e drogas.


Informações: (31) 2516-1648 – falar com Fernanda.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Portas

Se você abre uma porta, você pode ou não entrar em uma nova sala. 
Você pode não entrar e ficar observando a vida.
Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra, dá um grande passo: nesta sala vive-se !
Mas, também, tem um preço... São inúmeras outras portas que você descobre. Às vezes curte-se mil e uma. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta. 
A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende. 
Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa, a cada sala que se vive, descobre-se tantas outras portas. E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas. Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. 
Mas a vida também pode ser dura e severa. Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente. É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida... Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!
Içami Tiba

Desejamos a todos Um Feliz Ano Novo...que todos tenham muitas portas para serem abertas pela frente e que em 2012 possam escolher quais portas vão abrir. Mas lembrem-se as portas são passagens, são permeadas por limites e potencialidades e tudo isso nos traz enriquecimentos...não vamos vê, apenas, obstáculos e ficar ruminando as dificuldades...vivemos de dores e alegrias; isso é viver, é o pulsar da vida...sem estagnação...quando não abrimos portas não vemos nem um lado e nem o outro, nem o bom e nem o ruim; isso é inércia. Por isso arrisquem em 2012, nas dificuldades terão facilidades e nas facilidades dificuldades; nas dores delicias e nas delicias dores!!!


Um abraço a todos
NASS  - Núcleo de Atendimento Social Sistêmico

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Amor e perseguição

“As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas”.
Norman Mailer. Copiem. Decorem. Aprendam.
Temos a mania de achar que amor é algo que se busca. Buscamos o amor em bares, buscamos o amor na interner, buscamos o amor na parada de ônibus. Como num jogo de esconde-esconde, procuramos pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas platéias dos teatros. Ele certamente está por ali, você quase pode sentir o seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível, pois só o amor
constrói, só o amor salva, só o amor traz felicidade.
Amor não é medicamento. Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproximará,e, caso o faça vai frustrar suas expectativas, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza,ele não suporta a idéia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima. Você já ouviu muitas vezes alguém dizer: “Quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu”. Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas.
“As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas”.
Normal Mailer. Divulguem. Repitam. Convençam-se.
O amor, ao contrário do que se pensa, não tem que vir antes de tudo: antes de estabilizar a carreira profissional, antes de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir do seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir diante de você sem máscaras e sem fantasia.
É esta a condição. É pegar ou largar.
Para quem acha que isso é chantagem, arrisco sair em defesa do amor: ser feliz é uma exigência razoável e não é tarefa tão complicada. Felizes aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é serenidade. Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipes encantados. O amor é o prêmio para quem relaxa.
                                                                                                      Martha Medeiros

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A nossa história com a nossa família

Desde quando nascemos somos pertencentes a grupos, o primeiro desses é a nossa família. O que não sabemos ou negamos saber é a influência de nossa família na nossa formação enquanto indivíduo, na nossa individualidade.

Acreditamos o tempo todo na nossa originalidade, insistimos, algumas vezes, em afirmar o quanto somos diferentes de nossos pais e da forma de funcionamento da nossa estrutura familiar. Um grande paradoxo, porque quanto mais insistimos nisso mais presos estamos a nossa família.

Muitas coisas que vivemos são repetições do que acontece na nossa família, repetição da nossa história familiar. Estamos presos as regras, crenças, leis e costumes da nossa família.

Não é muito fácil sermos tão diferentes e originais do grupo que pertencemos, mas voltar às nossas raízes, conhecer as histórias das nossas famílias, acreditar no nosso potencial de pertencer e ser influenciado vai fazendo com que aumente nossa consciência sobre esta história e só assim poderemos ser mais diferentes e originais.

Então para individuar e traçar nosso próprio destino precisamos pertencer e saber da importância deste pertencimento.  Este é o foco de trabalho do psicoterapeuta sistêmico. Junto do cliente irão avaliar sua história e sua herança transgeracional. Assim quando o cliente ampliar sua consciência e entender um pouco sobre sua história e as suas relações poderá perceber melhor seu jeito de ser, agir, pensar, comportar e fazer suas escolhas. Com a consciência ampliada o próximo passo são as mudanças necessárias para uma vida mais saudável e funcional.

Fonte:
Texto Tributo Familiar de Jaqueline Cássia de Oliveira

Texto escrito por: Camila Ribeiro Lobato